[19/3/2010] Ex-aliados de dirigente criticam gestão da CBT. Presidente diz que é politicagem
Nelson Aerts apoiou a eleição de Jorge Lacerda em 2005, mas rompeu com o cartola logo depois. Depois da cobrança de Fernando Meligeni, que pediu transparência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) , e da resposta do presidente de entidade, Jorge Lacerda , ex-aliados do dirigente apontaram problemas na atual gestão do tênis brasileiro. Em conversa com o GLOBOESPORTE.COM, Nelson Aerts, Thomaz Koch e Ricardo Acioly criticaram e fizeram novas cobranças.
Thomaz Koch, maior expoente do tênis brasileiro até o surgimento de Guga, engrossou o coro de Meligeni e disse que nunca houve transparência com a direção atual da CBT - que assumiu o comando em 2005. O veterano, hoje com 64 anos, fez parte da comissão técnica da Copa Davis, mas lembra que nunca teve a chance de fazer o trabalho que propôs à entidade.
- Eu saí porque não tinha acesso às contas. Estava sempre no escuro. Quando eu assumi a minha parte na Confederação, a Davis me ocuparia duas, três semanas por ano. O resto do tempo seria tentar armar um programa infanto-juvenil com pré-temporada, treinamento e integração com técnicos. Não consegui nem começar um trabalho. Foi bem decepcionante. E a Confederação ainda me deve dinheiro da Copa Davis de Belo Horizonte (contra a Suécia, em 2006). Nem cobrei, não é do meu perfil. Se você trata alguma coisa, tem que pagar. O maior parceiro na eleição de Jorge Lacerda era Nelson Aerts, diretor da TrySports, empresa que promove vários torneios no país - juvenis e adultos. O rompimento veio pouco depois que o atual presidente assumiu a CBT. Eu nem quero me meter, porque fui o maior colaborador. Entrei no projeto apoiando, mas como não vejo gestão, não faço questão de participar. Cerca de 90% das pessoas apoiaram a mudança (que levou Lacerda ao poder). Hoje, tirando dois ou três que estão tendo benefícios, o resto está fora. O que é feito com o dinheiro? Onde estão as notas fiscais? - questionou Aerts.
Ricardo Acioly, ex-capitão do Brasil na Copa Davis, também foi a favor da eleição de Lacerda em 2005. Ele não reclama por não estar trabalhando junto à entidade, mas afirma que os R$ 9 milhões que a CBT tem de receita anual são uma quantia vultosa.
- A gente sempre espera que se faça mais (pelo tênis). Não dá para tapar o sol com a peneira. Como a gente não está envolvido, é difícil dar uma opinião concreta sobre o que está acontecendo. A soma de dinheiro que está entrando é bem significativa. Não há muitas federações no mundo com esse tipo de verba. Todos nós apoiamos a ida dele. Infelizmente, ninguém está no processo hoje. Acho que é opção do Jorge. Ele escolheu uma equipe de trabalho e está indo com ela. Ele, como presidente, tem total liberdade de direcionar as coisas. Dirigente nega rompimento com aliados Para Lacerda, as reclamações são fruto de oportunismo. O cartola acredita que a oposição procura desestabilizar a entidade. - Estão querendo aproveitar o momento, já que nossa assembleia é na semana que vem. É problema de contas ou é porque querem assumir o poder? Está parecendo mais uma discussão política, tentando prejudicar a Confederação. Eles focam a parte negativa de uma entidade que está buscando patrocínio. Então, o empresário passa a achar que virou bagunça. Anfitrião do Rio Champions, Thomaz Koch diz que não teve chance de executar projeto na CBT Sobre o afastamento de seus aliados depois da eleição, o principal dirigente do tênis brasileiro alegou que rompeu apenas com Aerts e acusou o promotor de tentar tomar para si o controle da CBT.
- O afastamento que houve foi com o Neco (Nelson Aerts). Com os outros, não. Houve um desentendimento com ele. O Guga continua com a gente. O Acioly vai viajar cinco semanas com dinheiro da CBT, então, para mim, ele está dentro. Na verdade, ele (Aerts) queria assumir a gestão da Confederação. Queria que eu virasse Rainha da Inglaterra. O cara é dono de uma promotora e quer controlar a Confederação? Você acha isso ético? - argumentou.
Indagado quanto à suposta dívida de 2006 com Thomaz Koch, Lacerda lembrou que a Confederação vivia mau momento financeiro e dirigiu palavras duras ao veterano.
- Na época que ele estava na CBT, não tinha dinheiro para investir. Todo mundo chegava com proposta pra fazer alguma coisa, mas com custos altos. Havia R$3, R$4 milhões de dívida (da gestão anterior). Se o Thomaz acha que tem alguma coisa para receber, que vá cobrar. Não tem problema nenhum. Tenho pena dele, de acabar a vida assim, funcionário de uma promotora. Gustavo Kuerten e Larri Passos foram procurados pelo GLOBOESPORTE.COM, mas informaram, por meio de suas assessorias, que não estão a par das recentes discussões entre Fernando Meligeni e Jorge Lacerda e, por isso, preferem não se pronunciar. Fonte:globo.com
(Reprodução autorizada mediante citação da fonte)
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